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quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

O vento

O vento é volátil e efêmero.
Não se pode possuí-lo,
não é possível enclausurá-lo,
não se pode vê-lo,
só é possível senti-lo.
E no sentir é que vive o prazer,
de ser sentido.

Hoje ele sopra ao leste,
Amanhã oeste.
De norte a sul ele perece,
A procura de algo ou alguém que o interesse.

O vento não tem rumo,
ele é livre.
Vai e vem quando lhe convém.
Anda em busca daquilo que não contém.

Faz amigos,
acalanta crianças,
sopra as penas,
exala confiança,
carrega a vida,
semeia esperança.

Mas também é terror e exala o seu furor.
Em dias de fúria,
espalha lamúrias,
angústias,
dissipa a dor
e acende o rancor.

Perguntar-te-ei, então,
do fundo do meu coração.
Como podes tu,
apaixonastes por um elemento tão vão?

Com um sorriso no rosto,
algo assim, meio entreposto,
ouço a resposta surgir:

“-Sou capaz de amá-lo,
pois sou fadada a discernir,
aquilo que os olhos não podem ver,
daquilo que só o coração pode sentir.”

Posso ouvir o vento passar, assistir a onda bater, mas o estrago
que faz a vida é curta pra ver.
.

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Existencialismo de buteco

   Quando começamos a ter consciência das coisas, pensamos sempre que a próxima etapa da vida vai ser mais interessante que a anterior, que vai ser aquela onde finalmente teremos nossa realização.



Ensino médio

"- Quando eu estiver no ensino médio vai ser tudo diferente, já vou ser mais adulto."


Relacionamentos

"- Para me autoafirmar, agora preciso arrumar companhia afetiva, todos os meus amigos tem e já cansei das infames perguntinhas nas reuniões familiares."


Faculdade

"- Agora sim vou ser realmente independente, horários flexíveis, sem ninguém pegando no pé, não preciso das satisfações a ninguém e tenho enfim a liberdade que sempre quis."


Emprego

"- Vou sair de casa e conseguir minha autonomia, agora que já ganho meu próprio dinheiro, posso realmente ser dono de mim mesmo."


Generalista.

Para no final perceber que dá tudo na mesma.
(viva as etapas da sua sobrevida nesse meio tempo/pensar demais, as vezes, é uma maldição)


Sopa é daora e Susanita uma vacilona - Sartre